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Quarta-feira, 22 de Agosto de 2007

Cuidar de amigos...

Bem, hoje  a noite foi muito calma... há muito muito tempo que não tinhamos uma noite em que não tocasse a campainha!!! Estava tudo a dormir como pedras! Bom para nós, mas ainda melhor para eles, porque descanso é quase meia cura!!!

Agora temos lá uns casos bem complicados de pessoas com neoplasias em estado terminal... é sempre complicado estes casos, lidar com pessoas que sabem que vão morrer, é uma questão de tempo! Algumas estão tão lúcidas que até faz confusão o modo como falam sobre a sua morte... Outros estão simplesmente em fase de negação. Continuam a fazer planos para dali a um ano ou dois e depois dizem esses planos aos familiares que ficam chocadissimos e super tristes por saberem que nada daquilo vai acontecer.

No meu entender as pessoas em estado terminal não deviam estar ali, mas sim numa unidade de cuidados paliativos, onde não tivessem nem uma unha a doer-lhe. Ali ás vezes é complicado, por mais analgesia que administremos, raramente os médicos prescrevem fentanil ou morfina. Apesar dos efeitos secundários, é necessario atenta monitorização, e eles ás vezes não estão para isso... mas esquecem-se que as pessoas têm dores só de coçar o nariz!

Não pensem que ali é tudo mau... há pessoas que terminaram a sua vida ali e os familiares verificaram que tudo foi feito para que a pessoa morressem em paz e sem dor. Era um Sr ainda novo, 50 anos, com uma neoplasia no intestino (algures já nao me lembro), que teve uma decandência brutalissima, e em espaço de dias estava irreconhecível. Não havendo mais a fazer (estava mesmo mesmo muito avançado) a médica tomou todas as providências para o Sr se manter sem dores. Quando o Sr faleceu, a esposa, que também era nova, ficou de rastos. Ela nunca se despedia dele tipo:"Até amanhã", era sempre "As melhoras... até um dia". Era estranho, mas devia ser a defesa dela. Às vezes, na hora da visita, percebia-se perfeitamente que a  Srª tinha estado a beber (beber para esquecer?). Bem, mas quando ele faleceu ela escrever uma carta lindissima aos profissionais de saúde a agradecer todos os cuidados em fim de vida que prestámos ao marido dela, e eu tenho a certeza que muito se deveu ao facto dela ter verificado que o senhor pouco se queixava de dores.

De momento temos uma situações muito muito complicada lá. Um dos auxiliares do serviço está lá internado, com neoplasia do pulmão... É uma pessoa espetacular, sempre super atencioso com os doentes e sempre pronto a trabalhar. Um amigo mesmo. E foi logo a ele que isto acontece... O J. está irreconhecível... já mal fala, está sempre com falta de ar, completamente dependente de tudo. É estranho cuidar assim de alguem que conhecemos. Não é que o façamos de maneira diferente só porque o conhecemos, mas é aquele sentimentos, mais que empatia, aquela amizade... somos enfermeiros e visitas simultaneamente. É muito estranho para nós e principalmente para a namorada dele que também é auxiliar lá no serviço. Imaginam o que é? Esta situação está a deixar-nos de rastos e só pedimos que na hora não estejamos ao serviço (alguém tem de estar né... mas que nao seja eu). Se não for connosco parece que custa menos. (Será?)...

Bem, amanha folguinha. A ver se vou a praia que estou branca como a cal...

Beijos e Abraços***

Sinto-me: Isto não devia acontecer...
Música: The fray - How to save a live


6 comentários:
De Su a 22 de Agosto de 2007 às 13:22
É impressionante aquilo que tem que se passar. Deve ser tão dificil! Eu sou do tipo de pessoas que me custa falar da morte, sou um mpouco fraca nesse aspecto, nunca conseguiria lidar de perto com isso todos os dias, muito menos quando se poderia tratar de pessoas próximas. Admiro muito quem tem a força para o fazer!


De nursy a 22 de Agosto de 2007 às 13:56
Pois, as vezes perguntavam-me como tinha ido para enfermagem se "fugia" dos mortos... mas isso cabe a mim mudar e enfrentar. Verdade é, que nem em estagio vi uma pessoa morta, só mesmo quando comecei a trabalhar... Beijos


De Su a 22 de Agosto de 2007 às 14:41
De qualquer maneira é preciso muita coragem, não só por ver pessoas mortas, mas principalmente agir para que isso não aconteça ou mesmo lidar com pessoas bastante debilitadas e não poder fazer mais nada. Sei lá, olha não é uma profissão fácil de certeza. bjs


De webi a 22 de Agosto de 2007 às 23:02
Aproveito esta oportunidade para fazer uma pergunta na qual estou muito curiosa quanto á tua resposta: Es a favor ou contra a eutanásia?


De marlucy lemos a 10 de Abril de 2008 às 21:33
estou infiltrando em algumas perguntas.Uma delas e sobre a eutanásia.Não sei se vão dar importância.
Mas sou contra esta praticidade.


De xucarita a 23 de Agosto de 2007 às 10:18
Olá linda
É tão dificil ver-mos as pessoas as sofrer sem podermos fazer nada. Dá uma sensação de incapacidade mas .... é mesmo assim.
Eu cada dia que te lei que te admiro como enfermeira mas acima de tudo como pessoa, continua assim como és.
Muitos beijinhos com força à mistura.
Ana (agora uma semi enfermeira de pai e avó)


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