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Quinta-feira, 26 de Junho de 2008

Perdida num mundo dela...

Um dia a Sra M chegou lá ao serviço. Tinha tido um AVC e estava com dificuldades em mexer a parte direita do corpo. Fora isso conversava muito bem e era uma pessoa, que apesar dos seus 65, era muito actual e bem disposta. Do que contava da sua vida, dava para entender que tinha sido sempre uma mulher de armas! Aguentou as traições do marido, foi obrigada por ele a fazer 7 abortos, e criou sozinha 3 filhos porque o marido não a apoiava... e passados 20 anos, separou-se e vive a vida dela, como ela diz "porque é o melhor que temos!". Voltou a apaixonar-se por um senhor que "cuidava dela" e que a fazia sorrir. Desde que ela foi internada, ele visita-a todos os dias, ajuda-a no que ela nao consegue fazer... é mesmo de ver e de desejar encontrar alguem assim!!!

Um dia ela disse-me que estava desejosa de sair, de melhorar, de voltar a andar, nem que fosse com uma bengala... queria ver as marchas de Santo António, porque gostava das musicas e porque um dia gostava de ter participado,mas que não era de Lisboa. Via todos os anos na TV e adivinhava todos os anos quem ganhava...

Na vespera de Santo António a Sra foi fazer um exame e as coisas correram mal... ela repetiu o AVC, desta vez de modo gravissimo... Quando a voltei a ver não se lembrava de mim... parecia que falava com ela ela estava noutro mundo. Não dizia uma frase correcta... Quando o marido a veio ver, começou a chorar porque ela já não lhe dizia, como de costume "só tu me fazes sorrir!". Ele perguntava: "Lembraste de mim?" e ela respondia "iogurte? para quê plantar essas coisas...?!"

Nem sei expressar o sentimento que tenho (e muito menos o que terá o Sr.) ao perceber que a senhora, irreversívelmente, vai viver no mundo dela. Tentei dizer-lhe que tinha ganho a marcha de Marvila.... ela respondeu-me "Já disse que hoje não lavo a roupa!".... 

Ela está confusa, agitada, fala fala e não diz nada de jeito. Mal consgue ajudar-nos como antes fazia... é uma tristeza, e acreditem que me custa prestar-lhe cuidados... Como é que de um momento para o outro deixamos de ser nos mesmos... como de um momento para o outro esquecemos todos os objectivos e perdemo-nos nas memórias, no vazio e nada nem niguém lhe diz alguma coisa...

 

E é por isto que ás vezes caio em mim e penso que devemos dizer as pessoas tudo o que sentimos, devemos "aproveitá-las", saboreá-las na sua essencia porque podem não morrer, mas podem deixar-nos sós na mesma não nos reconhecendo... saboreiem quem amam....

 

(do site: http://missindependent.blogs.sapo.pt/)

 



Quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Indicação para não reanimar...

Olá!!!

Para começar agradeço o destaque no sapo... não sei se merecia porque tenho noção que não actualizo este blog com a frequencia que gostaria... mas enfim, agradeço na mesmo, claro! .

 

Hoje, sem sono depois de uma noite de trabalho, andei a ver alguns (poucos! ) blogs e encontrei um post de um estudante de enfermagem com o qual me identifiquei e acerca do qual me apeteceu escrever. O post é este:

 

http://vida-de-estagiario.blogs.sapo.pt/2479.html

 

"Como diz a minha mãe é o que temos mais certo.

Hoje quero vos contar um caso, uma situação.

 

Doente do sexo masculino, com mais de 90 anos, tetraplégico, infecção respiratório, estado comatoso, insensibilidade à dor.

Aqui entra o sentido da vida, o sentido da enfermagem e o sentido da saúde. Não vou discutir temas como a eutanásia, pelo menos não neste post, o que pretendo falar é sobre os chamados DNR ( Do Not Resuscitate).

 

Este  senhor de que vos falei nao tinha indicação de DNR, num destes dias faleceu e fizemos tudo, mas tudo mesmo...mas foi insuficiente. O senhor faleceu, contactada a família, após a reacção inicial, o filho revelou sentir-se..aliviado.

 

Pode parecer frio, estranho o que quiserem chamar, mas aquém ja esteve nesta situação compreende que este sentimento de alívio nao é mais que uma demonstração de amor pelo ente querido e que em nada contradiz os sentimentos de tristeza, angustia, solidão e saudade que sentimos nestes momentos.

 

Voltando ao tema dos DNR, em conversa com uma amiga que nada têm haver com enfermagem nem com saúde ela diz que nao compreende como se pode "não fazer nada" perante uma situação de paragem cardiaca. Lógicamente não tem DNR devido à paragem cardiaca mas sim devido a toda a sua situação clínica irriversivél e que é fonte de dor e sofrimento para a família, mas principalmente para o doente.

 

Infelizmente a morte faz parte da vida, o que importa é viver cada dia como sendo o mais especial:) "

 

 

Ao ler este post lembrei-me de muitos dos doentes que nós temos internados, com uma situação clinica claramente irreversível, em que há sofrimento da familia por ver aquele ente querido naquele estado... Um dia, a pessoa tem uma paragem cardio respiratória e não está nada escrito que tem a indicação de DNR....

E nós, que fazemos? Tentamos reanminar... e ás vezes sabem o que penso? Que aquela PESSOA que acaba por morrer, morreu no meio de uma azafama da reanimação, sem familiares perto ou uma mão amiga... Atenção, que estou a falar de reanimações em pessoas que têm uma situação clinica muito grave e das quais se sabe que após reanimação com sucesso não haverá melhoria nenhuma...!
Não é frieza nenhuma os familiares sentirem-se aliviados... quando estao bem informados da situaçao clinica e quando se apercebem da pessima qualidade de vida da pessoa que gostam. No intimo, apesar de ser tabu e "parecer mal" dizê-lo, a sua vontade é que a pessoa parta em paz e pare de sofrer...a sua vontade é que ela morra. Se bem que a parte egoista muitas vezes também está presente e ninguém quer sofrer a perda de uma morte... (mas será que já não perderam?!)

 

Fico-me por aqui...talvez o sono já tenha chegado...

Música: How to save a life....


Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Problemas etico-burocraticos...

Olá a todos! Como vai isso?!

Eu cá tenho estado na minha vida de enfermeira... agora um pouco melhor com a vida... temos sempre de erguer a cabeça e pensar que se tudo acabou é porque era o melhor para nós! E hoje sei isso... ! Mas que custa... custa!!!

O nosso Portugal cá anda, sempre para trás... vai-nos valendo as musiquitas do Rock In Rio - por um mundo melhor... Foram??? Eu só vi na televisão... mas achei demais!!!

Em breve terei férias. Vou para a minha terra passar uns dias... está a começar o calor, vou ver se consigo ficar com um pouquinho de cor... (não em demasia...!!!).

O Euro 2008 já começou. Sou super fã da selecção... até agora tudo correu bem, embora ainda tenha passado só um jogo. É bom, ganhámos, espero é que eles não se encostem à sombra da bananeira!!!

Pelo serviço de Medicina, minha 2a casinha as coisas vão indo no seu habitual!

Temos lá internada uma senhora, querida querida, de 100 anitos, vai fazer 101 amanhã! Será que chegamos aos 100??? Se chegar espero que seja como ela, que ainda tem alguma qualidade de vida e é extremamente querida!!! Já pensaram no que ela já passou? Como Portugal mudou desde que ela nasceu?!

Bem, ontem surgiu-nos um problema... meio ético, meio burocrático! Chegou-nos um doente, de 32 anos, com taquicardia, com o nome (inventado, obvio) Rui. Quando olhámos para o Sr Rui percebemos que ele não era do sexo masculino, mas sim, do sexo feminino... ele disse-nos que era transexual, que tinha alterado os orgaos sexuais e que gostaria de ser tratado como Joana (nome falso tambem). Seria aceitável esse facto, no entanto, em que parte é que a colocariamos? Na ala das mulheres? Mas ele, legalmente e para fins burocraticos chama-se Rui...vamos chama-la de Rui no meio das outras senhoras... mas se a colocarmos na ala dos homens ela ia-se sentir mal e os homens da sua sala também perceberia que era uma mulher (pelo cabelo, mamas....). Bem...  fizemos reuniao de equipa e eu era da opiniao que a Joana deveria ir para a ala das senhoras e que deveriamos apenas chama-la de Rui quando fosse para realizar tecnicas, exames... etc...

No entanto, por maioria, optaram por colocar a Joana na ala dos homens... porque o nome legal era Rui e para não haverem problemas e confusões com exames e tecnicas. Vamos ao máximo manter a privacidade da Joana e esperar que corra tudo bem...

 

Por aqui me fico hoje, muitos beijos e abraços para todos**



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