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Quinta-feira, 31 de Janeiro de 2008

Acabou...

Olá a todos!
Não tenho vindo postar muitas coisas porque a minha inspiração não está no seu auge...
Sei que geralmente não falo da minha vida pessoal... (se bem que falar dos meus sentimentos e opiniões é algo pessoal...), mas desta vez acho que me faz falta desabafar um pouco...
Sendo que este blog trata principalmente a enfermagem, posso na mesma relacionar este post com enfermagem... 
Como ja disse algumas vezes, o nosso humor, o nosso estado de espirito, a nossa saúde interfere nos cuidados que prestamos, principalmente na relaçao com as pessoas internadas. Não devia ser... deviamos separar as coisas, porque a vida pessoal fica a porta de casa e a vida profissional deve ficar a porta do hospital... mas como a pessoa é a mesma, não considero isso possível!!! O importante é que não afecte a vida das pessoas, porque o resto, considero que seja humanamente normal..
Não sei se se lembram (tambén não falo muito nisso...), eu tenho um namorado... aliás... tinha... estão já a ver o problema?!  Sempre nos demos bem... mas parece que chegou a uma altura em que tudo estagnou... em que os momentos em que estamos juntos já não são os mesmos, em que as conversas parece não terem sentido... em que a paciencia não é a mesma... a no meio de tudo isto só se poderia avistar um final... Pode ate ser a "melhor" solução... acabar com tudo... mas custa muito quando nos apercebemos que passado tanto tempo não é aquela a pessoa ideal para nós... e é claro... que gosto dele... gosto muito dele... mas a relação já não é a mesma coisa...
Resumindo e concluindo... ando muito em baixo e sei que se nota lá no hospital... tanto por colegas como por doentes... não consigo sorrir tanto, ser tão faladora... faço o que tenho de fazer e deixo-me estar num canto porque não consigo estar de modo diferente... :( e por isso, também a vontade e inspiração para vir aqui contar uma ou outra coisa é menor... :( desculpem e é esperar que tudo passe para que volte tudo a ser melhor... e para que volte a sorrir...

 

 

Sinto-me:
Música: Adeus, Boa Sorte - Vanessa Mata+ Ben Harper


Quinta-feira, 24 de Maio de 2007

Na hora do adeus...que dizer?

Mais uma manhã.. e oh que manhã!!!

Custou-me tanto levantar cedo.... quase me arrastei até ao  hospital!!!  Se estou cansada hoje, amanhã nem quero imaginar. Vou fazer outra vez 16 horas seguidas.

Hoje fiquei furibunda com uma colega minha... é das que faz os mínimos e quase menos que isso... não ajuda em nada nem que veja as colegas atrapalhadas!!!  Eu não consigo... não consigo ver as minhas colegas a andar de um lado para o outro, ainda banhitos para dar, pensos para fazer e tal...  e ir sentar-me a ler a Nova Gente...Eh pah ... desculpem colegas enfermeiros estar a passar esta imagem da enfermagem, mas a verdade é que há colegas que nãoooo nasceram para ser enfermeiras! Eu tenho medo de lhe pedir ajuda... ela ás vezes engana-se na medicação, inventa sinais vitais ... já viram isto?! Só me apetece fazer queixa... afinal ela pode por em causa a saúde das outras pessoas, mas penso que as pessoas que deviam fazer algo têm conhecimento de algumas "asneiras" ....

Bem, continua tudo tolo com a situação da minha colega ... agora é esperar a ver se ficou infectada não é verdade... a probabilidade é brutal... enfim... mas ao menos já toma medicação.

 

Primeiro as boas noticias, A Srª I (aquela senhora que foi re - internada muito malzito ...) está bem melhor!!! Já ajuda mais nos posicionamentos na cama, já não come pela sonda, já diz algumas piadas.... bem, está melhorzita!!!  Vamos lá ver como vai ser a continuação...

As minhas colegas da noite estavam estafadas...  tiveram uma noite horrível (pior que a minha!), tudo porque está lá internada uma senhora alcoólica que, quando está em abstinência, fica completamente desorientada, agressiva, verborreica (fala, fala, fala....), e com coprolalia (só diz asneiras). A senhora causou o caos na sua enfermaria , tendo quase provocado enfartes do miocárdio ás restante colegas de quanto... a única que não se apercebeu na balbúrdia foi uma senhora que acabou por falecer as  5h da manhã, mas que mesmo assim ainda foi atingida pela "loucura". A senhora F (que estava em abstinência alcoólica ), começou a ouvir vozes e a ver homens; achou que a doente da cama 3 era o seu marido e atirou-se a ela com unhas e dentes, fazendo a senhora levantar-se e correr pelo serviço! As minhas colegas mais os 2 auxiliares bem tantaram segurar a senhora F , mas parece que lhe nasciam forças. Só dizia asneiras, chamava-lhes tudo o que se consigam recordar que pode ofender alguem, bateu-lhes, sabendo perfeitamente onde atingir homens e mulheres! Resultado...fez milhentas medicaçoes para acalmar (metade pareciam água para ela...ou seja, não fazia efeito nenhum) e teve de ficar super hiper mega imobilizada na cama!!! Imaginem lá o drama familiar desta mulher... o marido dela tem de conviver com ela a ter estas desorientações frquentemente...e a vida social, como será? E a dificuldade que é manter a humanidade desta mulher? Quem é que se pode sentir digno preso como um "cristo" á cama?...  é dose... !!!

Na manhã a senhora esteve mais calma... colocaram-na num quarto sozinha para não ter tantos estimulos externos para a exaltar!

Hoje tive um doente que não sei se estará lá quando for trabalhar amanhã... piorou num ápice... e da confusão mental passou para uma prostaçao sem retorno...  patologia neoplasica avançada, figado quase inexistente... e está traçado o prgnostico!

A familia chegou e a esposa nem queria acreditar "que ia ficar sem o querido companheiro"! Dizia-me ela de lágrima nos olhos... olhando para ele e para mim como se eu conseguisse fazer mais do que dar-lhe conforto... Ela disse-me que algum tempo antes do internamento ele a tinha chamado e sem nada o prever, a abraçou "tão tão forte como nunca antes" e lhe disse "minha queria esposa...minha amada desde há 50 anos... despede-te de mim...despede-te de mim para sempre porque eu vou embora e vou embora depressa!"

Enquanto a esposa contava esta situação os meus olhos humedeciam-se... 50 anos depois ainda havia aquele carinho, aquela amizade e companheirismo... o modo como ela falava do seu companheiro, de como ele era a vida dela e ela a dele...e  agora ela ia ficar só .... e que raio de previsão esta do seu marido que ainda antes de estar internado já sentia que ia partir? Há coisas que não se explicam...

Fiquei lá com a esposa do senhor...em silêncio... que dizia eu? Mas fiquei lá... a responder as suas questões práticas, a ouvir as retoricas... até que chegou a hora de ir embora e lá me despedi... dela e dele...

Por agora, despeço-me de vocês. Beijos e abraços. Obrigado pelos comentarios!

 

Yer Shadow Smiles at Me

(de Miguel Delgado)

 

 

Sinto-me: furibunda, triste, cansada...
Música: Nelly Furtado


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